016 – Intolerância versus Consciência

Anúncios

6 Respostas to “016 – Intolerância versus Consciência”

  1. kernel_script Says:

    Hmm, interessante. Acredito que o problema do pré-conceito (escrevo de maneira a enfatizar melhor o sentido da palavra) é bipolar de extremidades distintas: De um lado temos aquele ignorante (burro) que julga para mostrar a seus amiguinhos como ele é legal, e principalmente para alimentar o seu ego. Geralmente são pessoas de caráter falho e incapazes de exercer tolerância e respeito as diferenças.

    Do outro lado temos o sábio (neste caso me refiro aquele que busca conhecimento constante e mantém a mente aberta, poderia se encaixar no perfil de “pessoa interessante” que você falou) que julga, não para alimentar ego, mas por puro reflexo de consciência, identificando padrões, erros e acertos no comportamento alheio de acordo com o ambiente e padrões pré-estabelecidos para o convívio social harmônico, e também, obviamente, a sua visão pessoal de sociologia.

    Porém ai é que está, um certo problema, enquanto o “burro” se afoga nas próprias palavras de tanto metralhar julgamentos e consequentemente ofensas e possivelmente humilhação ao próximo, o sábio mais moderado tem um certo impasse para expressar sua opinião acerca dos eventos, pois em respeito ao sentimento alheio, as palavras devem ser bem escolhidas para não causar uma desavença que leve ao caos na comunicação ou até mesmo uma momentânea ruptura no diálogo e até mesmo na relação. Sempre um jogo de palavras para poder concluir o seu pensamento sem que o próximo se sinta pressionado no diálogo e desista do mesmo ou perca o temperamento, e você consiga fazer com que o outro perceba com o máximo de clareza possível o seu ponto de vista.

    Não sei se entendi bem Francis, você despreza pessoas “burras” ou apenas lamenta nosso sistema educacional e social = máquina de fazer ignorantes”?

    Estou assumindo que ao utilizar a palavra burro você denota intenção de ofensa moral (a alguém ou alguma coisa), pois do contrário utilizaria um termo mas descritivo como mal educado ou mal instruído, e no caso de “alguma coisa” como sistema deficiente etc. Acredito que “burro” caberia a ignorante: aquele que tem a oportunidade de aprender e progredir, mas ao invés de ir “a luta” espera tudo cair do céu, com isso, parando seu conhecimento no tempo e ficando para trás.

    Porém, existem aqueles que verdadeiramente, não tem culpa de serem ignorantes, pessoas que não tiveram condições sociais e econômicas de frequentar uma escola ou conviver com pessoas cultas, os nossos analfabetos e semi-analfabetos, que não possuem consciência verdadeira do seu estado frente a sociedade. Julgar pessoas assim é ser covarde e egoísta, é como matar um pássaro por que ele bicou o seu bolo em cima da mesa, como se ele tivesse consciência do seu ato e estivesse fazendo aquilo unicamente para irritar e prejudicar você. As vezes me pergunto que animal nesse planeta azul é realmente o racional…

    É sempre bom ter cuidado com as palavras – se a pessoa faz uso do princípio do respeito – pois existe uma linha fina que separa o sábio que julga e critica buscando centralizar a verdade e resolver o problema que atrasa o progresso, do cuzão idiota metido a juiz sabe tudo.

    Cuidado para não generalizar. Você pode de fato estar agindo de forma arbitrária em relação a sociedade, pois acredite cara, nem todo mundo é igual, e a sua crítica não seria um desejo disfarçado de identificar pessoas como você nos outros? Desejar que a maioria se adequasse a sua vontade e a sua visão de sociedade perfeita (sendo ela caótica ou homogênea, não importa) não seria um tanto egoísta? O que garante que a sua visão sociológica é absolutamente correta para julgar com caráter decisivo?
    E também, por que a pessoa é “burra”, não é sinônimo de que a pessoa só possui defeitos e nenhuma qualidade que mereça a sua atenção e posterior interação com a mesma, o fato dela ser “burra” não anula o fato de ele poder ter qualidades que te surpreendam e você até possa aprender algo novo que independa de conhecimento técnico, mas sim de experiência. A escola pode não ensinar, mas a experiência pode, mesmo que em menor grau.

    Acredito que tudo isso esbarre na questão do respeito, compreensão passiva dos acontecimentos, só então, vem a expressão, que dependendo do que foi plantado na formação do conceito, vai dar diferentes frutos, sadios ou não.

    Outro detalhe que notei no seu vídeo: Beleza/Estética é subjetiva cara. Pode parecer que não, mas é só dedicar um bom tempo a análise, que você percebe que padrões de beleza são constantemente invalidados com muitos casais, dizer que existe um padrão de beleza física é aceitar a submissão imposta por uma indústria cuja a receita gera em torno de tal padrão ilusório.

    • francisleech Says:

      “a sua crítica não seria um desejo disfarçado de identificar pessoas como você nos outros?”

      Porra, se é! Os tiranos, ditadores e super-vilões nascem da condição do isolamento, de se ver numa condição que os priva de encontrar aquela parte fundamental da identificação com o próximo que todo mundo precisa pra sobreviver. Tem uns dias que a gente acorda meio ditador, meio super-vilão. Até porque sobreviver no dia-a-dia tendo que esconder suas opiniões pra não ser julgado e excluído exige uma carga de disposição catastroficamente maior que as pessoas geralmente precisam e que é difícil de manter o tempo todo.

      Felizmente na vida prática a gente acaba aprendendo a distribuir as expectativas pelas pessoas de uma forma menos neurótica e mais realista, a gente aprende a relativizar se agarrando à noção de que essas pessoas não têm culpa do contexto que às gerou e nem consciência de muitas implicações de seus julgamentos que vão do simploriamente ingênuo ao perigosamente nocivo. Enquanto em contato com essa idéia, podemos de fato encontrar muita coisa interessante em muita gente comum por aí, até porque inteligência não é a única virtude admirável que se pode encontrar em um ser humano.

      Agora acho que você concorda comigo que se eu tivesse que me preocupar em medir as palavras a ponto de transformar esse blog em algo que fosse digerível pra todo e qualquer ser humano, a forma mais eficaz de fazer isso seria apagando ele de uma vez. Porque o que eu falo nos vídeos eu falo pra um público em especial: àqueles que se identificam com as coisas que eu mostro de mim, com minhas idéias e tudo mais. Obviamente ninguém se identifica integralmente com absolutamente tudo que ouve de outra pessoa e é nessa hora que a gente comenta e fala, “porra francis, manera aí, né, seu sem-noção!”

      Eu não sou ditador e super-vilão todo dia, mas todos nós temos nossos momentos tirânicos. Ainda bem que a gente pode fazer um blog pra sublimar os nossos impulsos anti-sociais extremos, até porque se eu fosse ser na rua exatamente como eu sugiro nos meus posts, eu não poderia sair de casa sem um taco de baseball e uma camiseta escrita “foda-se”.

      A beleza da coisa é justamente poder ter um feedback construtivo de uma pessoa que nunca te viu e discorda de você, até porque xingar e avacalhar é o caminho mais curto quando o cenário é a Internet! São nessas horas que a gente cresce, são nessas horas que a gente aprende.

      • kernel_script Says:

        “Agora acho que você concorda comigo que se eu tivesse que me preocupar em medir as palavras a ponto de transformar esse blog em algo que fosse digerível pra todo e qualquer ser humano, a forma mais eficaz de fazer isso seria apagando ele de uma vez”
        >> Concordo sim.

        “Eu não sou ditador e super-vilão todo dia, mas todos nós temos nossos momentos tirânicos. Ainda bem que a gente pode fazer um blog pra sublimar os nossos impulsos anti-sociais extremos, até porque se eu fosse ser na rua exatamente como eu sugiro nos meus posts, eu não poderia sair de casa sem um taco de baseball e uma camiseta escrita “foda-se”.”
        >> Me veio GTA na cabeça… rsrsrsrs

        “Porra, se é! Os tiranos, ditadores e super-vilões nascem da condição do isolamento, de se ver numa condição que os priva de encontrar aquela parte fundamental da identificação com o próximo que todo mundo precisa pra sobreviver. Tem uns dias que a gente acorda meio ditador, meio super-vilão. Até porque sobreviver no dia-a-dia tendo que esconder suas opiniões pra não ser julgado e excluído exige uma carga de disposição catastroficamente maior que as pessoas geralmente precisam e que é difícil de manter o tempo todo.”

        “A beleza da coisa é justamente poder ter um feedback construtivo de uma pessoa que nunca te viu e discorda de você, até porque xingar e avacalhar é o caminho mais curto quando o cenário é a Internet! São nessas horas que a gente cresce, são nessas horas que a gente aprende.”

        >> Também curto a velha e boa liberdade de expressão, e também vejo-a como uma oportunidade de aprendizado, principal motivo que me levou a responder ao seu vídeo.

  2. Markus Says:

    Cara, sensacional.

    “Prostituir-se por aceitação” é uma expressão linda.

    Engraçado é que todas as pessoas inteligentes que eu conheço (muitos deles “outsiders”, misantropos e antosociais assumidos) vão parar no divã.

    Achamos que há algo de errado conosco, que estamos doentes, quando na verdade o mundo está doente. Eu me recuso a aceitar um mundo assim.

    Já passei por um cognitivo-comportamental que me mandava praticar esportes, por uma gestalt (um doce de pessoa) que me contava mitos e agora por um psicanalista que só quer falar dos meus pais. E eu confronto o cara com minhas angústias e ele acaba ficando mais angustiado que eu. A terapia acaba sendo uma conversa mesmo. Ele deve se divertir.

    Depois de muito tempo angustiado por não me encaixar eu notei que todos os meus ídolos (Dylan, Hesse, Bukowski etc.) tampouco se adequavam às expectativas de um mundo doente. I just can’t fit.

    Eu julgo demais (todos e a mim mesmo) e isso é causa de sofrimento, mas tem o outro lado da moeda: eu vejo o que os outros não vêm. Foda-se, sou inteligente mesmo. Pra caralho. E intelectualmente elitista.

    Eu já sofro pra encontrar gente interessante morando em Berlim, que é um dos centros “cool” (mais pra “cu”) da Europa, e imagino a dificuldade pela qual você passa.

    Nesse sentido, viva a internet.

    Bora montar um “orkut” da vida cujo acesso exija teste de QI, cultura geral, uma espécie de vestibulinho intelectual. Claro, deixando os comunistas de fora.

    • francisleech Says:

      É o manifesto do Ego, Markus, é isso aí! Se não nos agarrarmos às coisas que somam o todo que somos, inclusive às coisas feias, a onda da mesmice nos apaga como desenhos na areia. Não tem criatividade, não tem arte sem dor. Se Dylan, Hesse e Bukowsky fossem pessoas felizes e bem adaptadas, jamais lembraríamos dos seus nomes.

      A “onda” diz pra gente glorificar a ifinita nobreza da coletividade. Acontece que eu não vejo ifinita beleza porcaria nenhuma na coletividade bem como as pessoas que sugerem isso só querem uma coisa — poder! Eu acredito na idéia da Hannah Arendt de que o ideal da condição humana plena está justamente na ponderação entre coletividade e individualidade.

      Caramba, cara, agora você me entristeceu me introduzindo a noção da versão germânica do “homer simpson”. Tô vendo que não dá realmente pra acreditar na idéia de uma “terra prometida”. Preciso de um tempo pra processar isso! OMFG!!!

  3. sal Says:

    Parabéns pela coragem de ter criado o blog Francis ! é um passo importante para alguém que se diz antisossial . é ótimo porque aqui as diferenças entre Homens com esse perfil mais reservado como pessoa são minimizadas justamente pelo encontro de mais indivíduos com essas respectivas qualidades misantrópicas . e o conflito na troca de idéias se acirra . mas é ai que eu entro com a seguinte questão : diante de tantos outros individuos semelhantes , vocês ainda se sentem unicos ou que não se encaixam em nenhum padrão ? acham-se tão dissidentes ou especiais ? Francis uma coisa você disse nos comentarios, que não achei totalmente verdade ; – ” Porra, se é! Os tiranos, ditadores e super-vilões nascem da condição do isolamento, de se ver numa condição que os priva de encontrar aquela parte fundamental da identificação com o próximo que todo mundo precisa pra sobreviver. ” não é totalmente verdade porque vc esqueceu do elemento principal para se formar um verdadeiro tirano , A SOBERBA ! e por falar em pré conceito eu andei percebendo que alguns aqui ja estão adquirindo ou melhor parecem ja ter adquirido tal imperfeição de carácter . mas uma coisa vc também disse e foi corretissíma ” Enquanto em contato com essa idéia, podemos de fato encontrar muita coisa interessante em muita gente comum por aí, até porque inteligência não é a única virtude admirável que se pode encontrar em um ser humano. ” isso sim é verdade . inteligência não é a única existe também a humildade !! QUE OS MAIS INTELIGêNTES GUIEM OS MAIS TOLOS E QUE OS MAIS FORTES PROTEJAM OS MAIS FRACOS !! DO QUE VALE VOSSO MUITO SABER SE VOCÊS NÃO O USAM PARA NADA NEM NINGUÉM ??? tão vazios quanto qualquer outro humano !!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: